METANOIA – Nosso modelo de gestão

Receita para esculpir o líder da nova era!

Por Roberto Adami Tranjan

 Há que ser gerente. Alguém que saiba administrar recursos, sejam físicos, produtivos, tecnológicos ou financeiros. Como todo bom gerente, deve se manter atento às receitas e despesas. E garantir que as primeiras superem as segundas. Tem, portanto, de assegurar o lucro, para que a empresa continue capitalizada. E precisa, também, garantir o caixa, para que a empresa se mantenha com liquidez e adimplente.

Como bom gerente, o líder da era do conhecimento deve ter boas respostas para as seguintes perguntas: quanto sua empresa faturou no ano passado? Neste momento, em comparação ao mesmo mês do ano anterior, a quantas anda o volume de vendas? As vendas estão em declínio, em crescimento ou permanecem estabilizadas? Seja qual for a situação, quais são as razões que explicam as oscilações nos resultados? E a margem de lucro? Está em alta ou em baixa? Quais são as razões que explicam o movimento? E os estoques? Estão girando mais ou menos, se comparados com o mesmo período do ano anterior? Quais são as razões? E a geração de caixa, como vai? Existem superávits ou déficits? Por quê? E a expansão, é uma realidade ou o que se observa é uma permanência há muito no mesmo, imutável patamar? Quais são as previsões? Afinal, o que fazer para que a empresa ganhe mais dinheiro nos próximos 60 ou 90 dias?

O bom gerente é pragmático. Por isso, pensa muito em produtividade. Não gosta de desperdícios, sejam de materiais, de tempo ou de dinheiro. Empenha-se em tornar os processos de trabalho mais ágeis, eficientes e enxutos. Pensa em resolver os problemas. Para isso, investiga suas causas e razões. Um bom gerente é um eficaz resolvedor! Gosta de problemas e de resolvê-los.

O bom gerente pensa no que é lógico. E em verbos como classificar, comparar, determinar, avaliar, medir, organizar, controlar.

O bom gerente valoriza as coisas úteis. E, por isso, ele também é muito útil às empresas. Mas, se o líder dependesse apenas dessa faceta, não conseguiria ser bem sucedido na era do conhecimento. Por que na era do conhecimento o líder há de ser, também, empreendedor.

Do lógico ao lúdico

O empreendedor sabe olhar para o mercado e consegue ler suas entrelinhas. É justamente nelas que se encontram as oportunidades. Vislumbra as tendências ao mesmo tempo em que pensa negócios. Para ele, um exercício de imaginação e de intuição. Assim, os verbos mais importantes do empreendedor são desvendar, desbravar, descobrir. A começar pelo cliente e suas necessidades.

O empreendedor é ligado no cliente. Não qualquer cliente, mas aquele para o qual resolveu direcionar as competências do negócio.

Para o bom empreendedor, o cliente é mais do que a razão da existência do negócio. Tem consciência de que o cliente é um parceiro. Sem ele não haveria negócio e o gerente não teria o que administrar. Sabe, ainda, que deve manter uma relação estreita com o cliente e não apenas comercial, mas também emocional. Tem paixão por resolver o problema do cliente, superar suas expectativas, fazê-lo feliz. O bom empreendedor tem certeza de que estará por muito tempo com o cliente. É ele quem conduzirá seu negócio para o futuro. Não por acaso, tem tanto interesse nos resultados de seu cliente como nos de seu próprio negócio. E reconhece que o seu empreendimento só será promissor se houver uma grande confiança no cliente e vice-versa.

No frigir dos ovos, o bom empreendedor sabe que a fonte da reputação de sua empresa está nas mãos do cliente. E não existe campanha de marketing que supere essa verdade. O cliente é, portanto, seu profissional de marketing número 1, sua mais importante “equipe de vendas”.

Enquanto o gerente busca a produtividade, pensa o lógico e valoriza o útil, o empreendedor busca a criatividade, visualiza o lúdico e valoriza o belo. Enquanto um mantém a cabeça nas nuvens, o outro finca os pés na terra. São duas facetas importantes do líder da era do conhecimento. Mas ainda não fazem um líder pleno.

A conexão humana

Boa parte das vezes, tanto o gerente como o empreendedor, isoladamente, desconhecem o que faz o resultado. O primeiro acredita na otimização dos recursos e dos processos. O segundo, na inovação proveniente das ideias e dos negócios. O que ambos costumam esquecer é que os resultados são feitos pelas pessoas que fazem o trabalho. E é aí que surge a figura do gestor, a terceira faceta do líder da era do conhecimento.

O gestor integra os dois polos: o mundo do gerente e o mundo do empreendedor. Busca uma relação harmoniosa entre o útil e o belo. Aos dois, integra o humano. Com isso, as coisas têm valor de uso, não as pessoas. As coisas podem ser usadas, mas as pessoas não. Produtos e serviços são levados ao mercado e valorizados por seu design, pela aparência atrativa. É o valor de troca. Algo que se aplica a produtos e serviços, mas não às pessoas. Em suma, pessoas não são coisas nem produtos. Não estão à venda.

É o gestor que abre espaço para as emoções, os valores e as virtudes. É ele que fará da empresa um lugar em que haja vida, um habitat humano, onde todos possam exercer seus dons e talentos, expressar livremente seus pensamentos e sentimentos e, sobretudo, viver seus valores.

É o gestor que vai abrir espaço para que as potencialidades humanas se transformem em competências. E para que essas sirvam às competências do negócio, enquanto produzem resultados. Para o gestor, os resultados da empresa decorrem de uma equipe comprometida, capaz de manter o cliente fidelizado.

Enquanto o gerente administra a empresa e o empreendedor desenvolve o negócio, o gestor constrói uma obra. Não uma obra qualquer, mas uma obra coletiva. A tarefa do gestor é projetar e dar vida a uma comunidade de trabalho que sirva à alma de todos os envolvidos: clientes, colaboradores, fornecedores, investidores. A maior contribuição do gestor é trazer significado ao negócio e a todos os envolvidos.

O líder pleno

O gerente administra a empresa, o empreendedor desenvolve o negócio, o gestor integra as pessoas. Enquanto o gerente busca o que funciona e o empreendedor busca o que agrega valor, o gestor busca o que verdadeiramente importa. É na confluência dessas buscas que se constrói uma liderança plena, feita de corpo, mente e alma. Dessa liderança plena surgirão, também, empresas de corpo, mente e alma, legados éticos, humanos e prósperos que formarão a economia da era do conhecimento. Nova, instigante e profícua

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